Terapia de Grupo

O passa-palavra é suficiente para ter mais pacientes?

O passa-palavra é, sem dúvida, uma das formas mais fortes de criar confiança na área da saúde. Mas depender única e exclusivamente dele significa deixar a procura nas mãos de algo que não controlas.

Em poucas palavras…

As recomendações podem sustentar uma prática durante anos, mas não garantem volume, regularidade nem alinhamento com os serviços que queres desenvolver. O passa-palavra deve ser um canal importante dentro da tua estratégia, não a estratégia inteira.

Profissional de saúde a analisar as várias fontes de recomendação e procura da sua prática

Neste artigo:

Um paciente satisfeito recomenda-te. Um colega lembra-se de ti quando recebe um caso fora da sua área de intervenção. Um médico ou uma instituição começa a encaminhar pessoas com regularidade. Na área da saúde, este tipo de confiança transferida tem um valor difícil de replicar.

 

É natural que muitos profissionais de saúde cresçam desta forma. No entanto, quando a procura depende quase totalmente da memória, da disponibilidade e das decisões de um pequeno número de pessoas, pode surgir um problema. E se pararem de te recomendar?

 

Um fisioterapeuta pode receber a maioria dos casos através de um ortopedista. Uma psicóloga pode depender de duas colegas que encaminham pacientes. Uma pequena clínica pode ter a agenda da fundadora preenchida por recomendação, enquanto os restantes profissionais continuam com horários vazios. Em todos estes casos há procura. O que muda é a segurança dessa procura e o grau de dependência de terceiros.

O passa-palavra é um canal de aquisição.

Um canal de aquisição é um caminho através do qual novas pessoas chegam a um profissional ou a uma clínica. Pode ser uma recomendação, uma pesquisa no Google, um diretório, uma parceria, um evento, um conteúdo ou uma campanha.

Chamar canal ao passa-palavra não reduz uma relação humana a uma métrica. Ajuda apenas a perceber que a recomendação cumpre uma função concreta na sustentabilidade do projeto: gera novos contactos e potenciais clientes.

Como canal, tem vantagens importantes:

  1. Transfere confiança. A pessoa chega com uma indicação de alguém em quem confia.
  2. Tende a reduzir hesitação. É mais fácil dar o primeiro passo quando existe validação prévia.
  3. Pode aumentar a adequação. Quem conhece bem o trabalho consegue encaminhar situações compatíveis.
  4. Confirma reputação. Uma recomendação recorrente mostra que a experiência clínica está a gerar reconhecimento.

 

Por estas razões, o objetivo não deve ser substituir o passa-palavra. Deve ser compreender o que ele traz, de quem depende e o que precisa de existir para o complementar.

Quatro riscos de depender apenas do passa-palavra

  1. Falta de previsibilidade. Não decides quantos contactos chegam nem quando chegam. A procura pode parecer estável durante meses e diminuir sem qualquer aviso.
  2. Concentração. Quando uma grande parte das marcações vem de duas ou três fontes, uma mudança numa destas relações tem um impacto imediato.
  3. Mensagem pouco controlada. És recomendado com base naquilo pelo qual já és conhecido, que pode não corresponder às áreas que queres desenvolver agora.
  4. Crescimento condicionado pela rede atual. As recomendações tendem a circular dentro dos mesmos contextos geográficos, profissionais e sociais.

Risco de concentração significa depender demasiado de poucas fontes. É o equivalente, em marketing, a ter grande parte da procura apoiada no mesmo ponto: enquanto esse ponto se mantém, tudo parece estável; quando muda, a fragilidade torna-se visível.

Dois exemplos comuns no mercado da saúde.

O profissional experiente que sempre viveu de recomendações.

Tem boa reputação, agenda preenchida e nunca sentiu necessidade de comunicar de uma forma estruturada. Nos últimos meses, começa a receber menos contactos. Um dos principais referenciadores mudou de clínica e outro passou a trabalhar com uma equipa própria. O profissional interpreta a quebra como azar, mas o problema é uma dependência que nunca tinha sido medida.

 

Este perfil não precisa de começar imediatamente a publicar todos os dias. Precisa de perceber a origem da procura, clarificar o posicionamento e criar uma base própria, por exemplo, um website útil, presença local correta e conteúdos que respondam às dúvidas de quem pesquisa os seus serviço.

 

A clínica em que a reputação da fundadora não se transfere para a equipa

A fundadora é conhecida, recebe recomendações e tem a agenda cheia. A clínica contratou outros profissionais, mas os pacientes continuam a pedir consulta apenas com ela. A marca da clínica existe visualmente; na prática, a confiança continua concentrada numa pessoa.

 

Aqui, o trabalho estratégico passa por explicar melhor a equipa, associar cada profissional a necessidades concretas, tornar o modelo de acompanhamento compreensível e criar percursos de marcação que não dependam sempre da fundadora. O problema não se resolve apenas com mais alcance, mas sim com uma transferência de confiança melhor construída.

Agenda cheia não é sinónimo de um crescimento saudável.

Uma agenda preenchida mostra procura, mas não explica se o projeto é sustentável. Um profissional de saúde pode estar cheio de casos pouco adequados, trabalhar horas excessivas ou depender de um serviço que já não pretende priorizar.

Para um profissional exausto, crescer pode significar receber menos contactos desajustados, aumentar o peso de determinados serviços ou criar espaço para supervisão e formação. Para uma clínica, pode significar distribuir melhor a procura entre a equipa, desenvolver uma especialidade ou reduzir a dependência da fundadora.

Crescimento saudável é o aumento da capacidade de o projeto atingir os seus objetivos com sustentabilidade. Pode envolver mais pacientes, mas também melhor adequação, maior previsibilidade, melhor utilização da equipa, serviços mais equilibrados ou maior margem para investir.

Como perceber do que depende a tua procura?

Começa por registar, durante pelo menos alguns meses, a origem de cada novo contacto. Não é necessário um sistema complexo. Uma pergunta no formulário ou no primeiro contacto pode ser suficiente.

  1. Quem recomendou ou onde encontrou o profissional ou a clínica?
  2. Que serviço procura?
  3. O contacto corresponde ao perfil de pessoa que pretendes acompanhar?
  4. Avançou para marcação? Se não, qual foi a principal razão?
  5. Que fontes trazem mais contactos e quais trazem contactos mais adequados?

 

É de suma importância que tanto o volume e a qualidade sejam analisados em conjunto. Uma fonte pode gerar muitos pedidos de informação e poucas marcações. Outra pode trazer menos pessoas, mas com necessidades muito alinhadas. Sem esta leitura, é fácil investir no canal mais visível em vez do mais útil.

Como complementar o passa-palavra?

  1. Clarifica o posicionamento. Define que públicos, problemas e serviços queres tornar mais associados ao teu nome ou à clínica. Podes ler mais sobre este tema aqui.
  2. Cria ativos próprios. Um website, páginas de serviço e uma base de contactos pertencem ao projeto e continuam disponíveis independentemente das alterações numa plataforma.
  3. Facilita a pesquisa e a confirmação. Muitas pessoas recebem uma recomendação e pesquisam antes de marcar. A informação encontrada deve confirmar, e não complicar, a confiança recebida (lê isto também).
  4. Desenvolve relações de referenciação. Explica a outros profissionais em que situações faz sentido encaminhar, como funciona o serviço e quais são os seus limites.
  5. Acompanha resultados. Revê periodicamente que canais geram procura, que serviços alimentam e se contribuem para o projeto que queres construir. (Já agora, quando olhas para as métricas da tua clínica, sabes o que estás realmente à procura? Vê isto.)

     

Diversificar não significa estar em todas as redes sociais. Significa evitar que toda a procura dependa do mesmo caminho. Uma prática individual pode precisar sobretudo de um bom site, pesquisa local e relações profissionais claras. Uma clínica pode precisar de páginas específicas para serviços prioritários, comunicação da equipa e um processo de contacto mais bem desenhado.

Perguntas Frequentes

O passa-palavra ainda funciona para quem é profissional de saúde?

Sim. É uma fonte importante de confiança e pode gerar contactos muito adequados. O risco surge quando o profissional depende exclusivamente de fontes que não controla nem acompanha.

Regista a origem de cada contacto, a pessoa ou canal que recomendou, o serviço procurado, a adequação e o resultado. Uma pergunta simples no formulário ou no primeiro contacto permite começar.

Não necessariamente. Se a procura atual é sustentável e corresponde ao projeto desejado, pode não existir urgência. Se há exaustão, dependência, procura desajustada ou serviços que precisam de crescer, existe uma questão estratégica apesar da lotação.

Website, pesquisa local, páginas de serviço, parcerias, referenciação profissional, conteúdos educativos, diretórios adequados e email podem complementar o passa-palavra. A combinação depende do público e dos objetivos.

O passa-palavra é ótimo. Até deixar de chegar.

As recomendações continuam a ser uma das melhores provas de confiança. Mas confiança e previsibilidade não são a mesma coisa, pois não?. A primeira vem da experiência das pessoas; a segunda exige que o projeto conheça as suas fontes de procura e construa outras alternativas.

 

O melhor momento para fazer este trabalho é quando o passa-palavra ainda funciona. Há mais tempo para testar, aprender e diversificar sem decisões precipitadas.

 

O Gabinete nunca te vai propor substituir relações por campanhas. Mas, podemos ajudar-te a perceber de onde vem a procura, que futuro podes construir e que canais podem reduzir dependências sem descaracterizar o teu negócio.

Há pessoas que precisam de ti. Vamos ajudá-las a encontrar-te.