Terapia de Grupo

Será que a IA sabe que existes?

O Google já não é a única porta de entrada para encontrar um profissional de saúde. ChatGPT, Gemini e outras ferramentas de IA estão a mudar a forma como pesquisamos, comparamos e escolhemos profissionais e serviços. 

Em poucas palavras…

Uma inteligência artificial não conhece automaticamente o teu trabalho. Quando usa pesquisa ou fontes públicas, tenta compreender quem és a partir de páginas indexadas, perfis, diretórios, referências e outros sinais disponíveis. Para aumentares a probabilidade de seres encontrado e corretamente descrito, precisas de uma presença digital acessível, coerente, específica e credível. Não existe uma marcação especial que garanta citações ou recomendações.

Profissional de saúde observa num computador como motores de pesquisa e sistemas de IA interpretam a sua presença digital.

Neste artigo:

Durante muitos anos, a pergunta era relativamente simples: quando alguém pesquisava ‘psicólogo no Porto’, ‘fisioterapeuta pélvico perto de mim’ ou ‘terapia da fala infantil’, aparecias no Google? A pergunta continua a importar, mas ganhou uma nuance nova: quando alguém pede a uma ferramenta de inteligência artificial que explique quem pode ajudar, compare opções ou indique profissionais, o que é que essa ferramenta consegue perceber sobre ti?

Este artigo é relevante para profissionais de saúde, clínicas e instituições que dependem da confiança antes do primeiro contacto. Explica como a descoberta por sistemas de IA se relaciona com SEO e que sinais ajudam uma máquina a compreender um profissional.

A IA não possui uma lista dos melhores profissionais de saúde.

Uma resposta de IA pode resultar de conhecimento aprendido anteriormente, de pesquisa em tempo real, de recuperação de páginas específicas ou de uma combinação destes mecanismos. Nem todas as ferramentas pesquisam a Internet em todas as perguntas, nem recuperam as mesmas fontes. Por isso, uma resposta não deve ser tratada como um diretório clínico estável nem como uma certificação de qualidade.

Quando existe pesquisa, o sistema tenta construir uma resposta com base nas fontes que consegue encontrar e interpretar. Isto pode incluir o teu website, o perfil da tua clínica, páginas de serviços, diretórios, artigos, referências institucionais e outras páginas públicas. A qualidade da representação depende da qualidade destes vestígios. 

Descoberta por IA é a possibilidade de uma entidade, página ou fonte ser recuperada e utilizada numa resposta gerada por um sistema de inteligência artificial. Não é sinónimo de recomendação, validação profissional ou garantia de citação.

O que é GEO e em que difere de SEO?

GEO, ou Generative Engine Optimization, é o nome usado para o trabalho de melhorar a compreensão e a visibilidade de uma entidade ou conteúdo em experiências de pesquisa baseadas em inteligência artificial. Na prática, grande parte desse trabalho continua assente em SEO: permitir o rastreio e a indexação, organizar informação, responder a intenções reais, demonstrar autoria e publicar conteúdo útil e original.

Convém dizer que as boas práticas de SEO continuam relevantes porque as funcionalidades generativas da Pesquisa recorrem aos sistemas centrais de pesquisa e ao respetivo índice. 

SEO e GEO podem ter ênfases diferentes, no sentido em que uma página pode competir por posições tradicionais e, ao mesmo tempo, oferecer definições, exemplos e respostas adequadas a pesquisa conversacional,mas não devem ser tratados como religiões rivais. A base é a mesma: uma presença acessível, clara, credível e suficientemente útil para merecer recuperação.

5 sinais de que a tua presença digital é clara para pessoas e sistemas de pesquisa.

Um sistema de pesquisa ou IA pode compreender-te melhor se encontra relações consistentes entre identidade, serviços, público, localização e evidência. 

1. Identidade profissional consistente

O nome público, a profissão, a especialidade, a clínica, a localização e os contactos devem aparecer de forma coerente no teu website, perfil Google, diretórios relevantes e páginas institucionais. Diferenças legítimas podem existir, mas versões contraditórias criam ambiguidade. Uma psicóloga não deve surgir num local como ‘psicóloga clínica’, noutro como ‘terapeuta holística’ e noutro apenas como ‘Maria’.

2. Serviços descritos com contexto

Uma lista de doze especialidades não explica em que situações podes ajudar os teus pacientes. Cada serviço prioritário deve ter uma página que identifique a quem se destina, que necessidades aborda, como funciona o acompanhamento, onde é prestado e quais são os limites da intervenção. Digamos que, em saúde, clareza é também triagem, pois ajuda a aproximar pedidos adequados e a afastar expectativas erradas antes de chegarem à consulta.

3. Localização e disponibilidade claras

Para pesquisas locais, a relação entre profissional, clínica, cidade, modalidade presencial ou online e zona de atuação deve estar explícita. 

4. Autoria, experiência e fontes verificáveis

Artigos no Blog sobre saúde devem identificar o autor, explicar a sua experiência relevante e citar fontes primárias quando apresentam factos atuais. A ideia é que o leitor perceba quem escreveu, a partir de que experiência e com que evidência.

5. Presença técnica acessível e atualizada

Informação correta num site inacessível, lento, bloqueado ou abandonado continua a ser informação difícil de utilizar. Páginas indexáveis, sitemap, ligações internas, dados estruturados coerentes com o conteúdo visível e datas de atualização ajudam os motores de pesquisa a compreender o site. 

A IA faz um apanhado da informação que existe sobre ti e não sobre a tua competência.

Uma ferramenta de IA não sabe que acompanhas famílias há quinze anos, que estudaste uma abordagem específica ou que tens uma forma particularmente cuidadosa de explicar diagnósticos, a menos que essa informação esteja publicada de modo verificável e relevante. Sabe aquilo que consegue inferir a partir das fontes disponíveis.

Por outras palavras, a IA recebe fragmentos, cruza sinais e tenta reconstruir uma história. Se os vestígios são coerentes, a reconstituição pode aproximar-se da realidade. Se cada perfil apresenta uma versão diferente, o website está desatualizado há vários anos e a especialidade surge apenas de forma pontual ou dispersa, torna-se mais difícil perceber com clareza quem és, o que fazes e em que área te diferencias.

Mesmo uma presença impecável não garante que uma IA te recomende. A resposta depende da pergunta, da localização do utilizador, das fontes recuperadas, da disponibilidade de pesquisa, dos critérios do sistema e de fatores que ninguém consegue controlar. Um trabalho consistente pode aumentar a probabilidade de seres compreendido e encontrado, mas não garante visibilidade permanente em sistemas de IA que estão em constante evolução.

A inteligência artificial não conhece o teu trabalho. Compreende-o através da informação que encontra sobre ti. Quanto mais clara, consistente e completa for essa informação, mais fácil é perceber quem és, o que fazes e como podes ajudar.

O que não vale a pena fazer para agradar à IA.

  1. Publicar dezenas de artigos genéricos que repetem informação disponível em todo o lado.
  2. Criar páginas quase iguais para todas as cidades quando o serviço e a presença local não justificam essa diferença.
  3. Repetir a mesma palavra-chave um milhão de vezes no mesmo texto.
  4. Inventar experiência, avaliações, estatísticas ou casos clínicos.
  5. Tratar llms.txt, schema ou qualquer ferramenta como garantia de ranking, citação ou recomendação.
  6. Esconder a identidade nos artigos do Blog e esperar que a autoridade apareça por milagre.

 

O ideal é criares conteúdo não comoditizado, isto é, informação útil, original e feita para pessoas. Para um profissional de saúde, isto traduz-se em, por exemplo,  responder a dúvidas reais observadas em consulta, explicar o que fazes, e mostrar o teu raciocínio clínico real.

Como podes perceber se a IA te encontra e compreende o que fazes?

  • Pesquisa o teu nome, a tua clínica, a tua profissão, os principais serviços e a localização no Google.
    Repara no que aparece primeiro e se essa informação corresponde à forma como queres ser encontrado.
  • Faz pesquisas semelhantes em ferramentas de IA que consultem a internet.
    Pergunta, por exemplo, por profissionais ou serviços da tua área e observa se apareces, como és descrito e que fontes são utilizadas.
  • Compara aquilo que encontras com a realidade do teu trabalho.
    Está claro quem és, em que área trabalhas, que serviços prestas, a quem te diriges e onde exerces? Ou a informação está incompleta, desatualizada ou espalhada por vários sítios?
  • Corrige primeiro aquilo que está errado, pouco claro ou em falta.
    Antes de criares mais conteúdos, garante que website, perfis profissionais e outras presenças relevantes contam uma história coerente sobre o teu trabalho.
  • Volta a verificar de tempos a tempos.
    Os resultados de pesquisa e as respostas das ferramentas de IA mudam. O objetivo não é conseguir uma posição fixa, mas perceber se a tua presença digital continua clara, consistente e fácil de interpretar.

Se quase não encontras informação sobre ti, se diferentes plataformas apresentam versões contraditórias ou se aquilo que aparece não representa bem o teu trabalho, publicar mais não é necessariamente a solução. Primeiro, é preciso organizar a informação existente, clarificar o posicionamento e garantir que quem procura, pessoa ou sistema de IA, consegue perceber facilmente quem és, o que fazes e como podes ajudar.

Perguntas Frequentes

Como posso fazer a minha clínica aparecer no ChatGPT, Claude ou Gemini?

Não existe uma forma de garantir que o teu projeto ou negócio seja mencionado ou recomendado pelo ChatGPT, Claude ou Gemini. 

O primeiro passo é garantir que existe informação pública, acessível e clara sobre a clínica, os profissionais, os serviços, as especialidades e a localização.

Depois, aplicam-se muitas das mesmas bases de uma boa presença digital: um website bem estruturado, informação consistente, conteúdos úteis e fontes online que ajudem a confirmar quem és e o que fazes.

O objetivo não é “otimizar para o ChatGPT”, mas tornar o teu projeto suficientemente claro e acessível para poder ser encontrado e compreendido.

Não. O GEO não substitui o SEO.

GEO, Generative Engine Optimization, é uma expressão usada para falar da visibilidade de marcas e conteúdos em experiências de pesquisa baseadas em IA. 

Na prática, ser tecnicamente acessível, publicar informação clara e útil, demonstrar conhecimento e manter uma presença digital coerente continua a ser fundamental, quer alguém te procure numa pesquisa tradicional, quer através de uma experiência com IA.

Não. Os dados estruturados podem ajudar os motores de pesquisa a compreender melhor uma página, mas não garantem que o teu conteúdo seja citado por um sistema de IA.

Por exemplo, podem identificar de forma mais explícita que determinada informação corresponde a uma organização, profissional, artigo ou negócio local e podem permitir determinados resultados enriquecidos na pesquisa.

Mas não existe, na documentação atual destas plataformas, um tipo de marcação que possas adicionar ao website e que garanta uma citação numa resposta gerada por IA.

Pode valer muito a pena. O conteúdo não serve apenas para captar pessoas que nunca ouviram falar de ti.

Imagina que alguém recebe o teu nome através de uma recomendação e decide pesquisar antes de marcar. O website, os artigos, os serviços e os restantes conteúdos ajudam essa pessoa a perceber quem és, em que te especializas, como trabalhas e se és a pessoa certa para aquilo de que precisa.

O conteúdo também pode ajudar-te a construir autoridade, tornar mais claro o teu posicionamento e criar outras formas de seres encontrado ao longo do tempo.

O passa-palavra pode gerar a recomendação, mas a tua presença digital ajuda a transformar essa recomendação em confiança e decisão.

Não. Produzir mais não é necessariamente produzir melhor.

Antes de aumentar o volume, vale a pena garantir que a informação que já existe sobre ti está correta, atualizada e coerente: quem és, o que fazes, em que te especializas, para quem trabalhas e onde estás.

Priveligia conteúdo original, útil e criado para responder às necessidades das pessoas, em vez de produzir conteúdo em escala apenas para tentar aumentar a visibilidade nos motores de pesquisa ou nas experiências com IA.

Ser o segredo mais bem guardado continua a significar estar escondido.

Há profissionais excelentes que resistem à comunicação porque associam visibilidade a exposição excessiva, autopromoção ou perda de rigor. É compreensível. Na saúde, existe ruído suficiente, promessas pouco responsáveis e comunicação que nem sempre ajuda a construir confiança.

Mas não comunicar também tem consequências. Quando um bom profissional deixa pouca informação sobre o seu trabalho, abre espaço para que outros sejam mais facilmente encontrados e compreendidos, mesmo quando não têm necessariamente mais conhecimento ou experiência.

Uma presença digital sólida não deve ser construída para agradar aos algoritmos ou “alimentar” sistemas de IA. Deve, antes de tudo, representar com clareza o trabalho do profissional quando ele não está presente para o explicar.

Há pessoas que precisam de ti e ainda não sabem que existes. E os sistemas que hoje ajudam essas pessoas a pesquisar também podem não saber.

Se queres perceber o que a tua presença digital comunica hoje, o Diagnóstico Inicial do Gabinete pode começar precisamente por aí: perceber se quem te procura consegue compreender facilmente quem és, o que fazes e porque o teu trabalho pode ser relevante.

Há pessoas que precisam de ti. Vamos ajudá-las a encontrar-te.